- Algumas analises sobre a política externa brasileira:
As análise sobre política externa, que cobrem o período entre as décadas de 1930 a 1990, revelam certa convergência analítica no que diz respeito à identificação de traços de continuidade na formulação e definição do relacionamento externo brasileiro. Esta continuidade é explicada pelos analistas como sendo o produto de alguns fatores: de um lado, um forte componente institucional na formação da política externa e a existência de um poder burocrático, relativamente autônomo, como é o caso do Itamaraty (Lima, 2000) e, de outro lado, o argumento que sustenta o tradicional alheamento da sociedade civil em relação aos assuntos externos e o princípio constitucional que outorga ao presidente da república a monopolização das decisões em política externa. No tocante ao Itamaraty, as analises concluem que, nos anos 1960 e 1970, ao dispor de recursos de poder imensos – orientação institucional própria, homogeneidade e identidade de seus membros e monopólio dos diplomatas sobre a maioria dos postos do Ministério – a instituição articulou doutrinariamente os temas e a agenda da política externa e os identificou como se fossem a expressão do interesse nacional. O Itamaraty se colocou então, como o ator central no processo de formulação da política externa e de seus quadros conceituais( Arbilla, 2000) Assim colocada, as análises acabam por reforçar o modelo que elege o Estado como ator unitário e autônomo na formulação e execução da Política Externa. Modelo que, tomando o Estado como sinônimo de governo será sempre o intérprete do interesse nacional, independente do tipo de governo que esteja no poder. Ademais, ressalte-se que a premissa do ator unitário pressupõe um consenso interno no aparelho de Estado acerca dos objetivos e um alto grau de autonomia do decisor governante em relação às forças políticas e sociais. O modelo adotado apresenta então uma “afinidade eletiva entre o modelo do decisor unitário e a diplomacia enquanto instituição tipo ideal do sistema de Estados(...) sugere não apenas o tratamento de um Estado sem conflitos ou divisões internas, como assume uma política externa coerente e congruente com o interesse nacional. Interesse nacional e interesse do Estado são sinônimos e o diplomata representa esse interesse no plano externo, buscando maximizá-lo vis-à-vis os interesses dos demais Estados.” (Lima, 2000 p.270).
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