quarta-feira, 24 de março de 2010

Participação militar no conflito (1918)

Os cada vez mais crescentes interesses do Brasil nos Estados Unidos refletiam a política americanista brasileira, pois os dados comerciais indicavam que as importações brasileiras dos Estados Unidos haviam triplicado, desde 1913 (alcançando 47% do total ) e aumentado em um terço as exportações àquele país (passando de 33% para 46% do total).

A colaboração brasileira com os Aliados deu-se quando, em janeiro, Woodrow Wilson propôs seus Quatorze Pontos para a Paz Mundial. O plenipotenciário inglês Arthur Peel comunicou no dia 12, a Nilo Peçanha, a decisão de seu Governo de receber os aviadores brasileiros. O Chanceler brasileiro agradeceu a decisão e afirmou que as “pequenas contribuições para a luta armada em curso não deviam ser desprezadas porque correspondiam a um protesto material contra os meios violentos”.

A resposta britânica ao pedido brasileiro de envio de frota viria em 11 de fevereiro, quando o Foreign Office indicou, por nota oficial, que esta poderia operar juntamente com as unidades da Marinha dos Estados Unidos. O governo brasileiro designou, então, o contra-almirante Francisco de Mattos para acompanhar as operações de guerra das esquadras Aliadas na Europa.

O Brasil se envolvia pouco a pouco na guerra. Nove aviadores brasileiros seguiram, em março, para a Grã-Bretanha, sob a chefia do capitão-tenente Manuel Augusto Pereira de Vasconcellos (28). Depois de treinamento em Eastbourn, Lee-on-Solent e Calshout, foram empregados em missões de patrulhamento (29) com aviadores ingleses e americanos (30). Os Aliados encontravam-se, então, em momento difícil, pois em março os alemães lançaram grande ofensiva na frente ocidental. Em resposta, a Grã-Bretanha formou, em abril, sua Força Aérea Real (RAF) e enviou tropas para Vladivostok.

A frota brasileira, a caminho da Europa, começou a enfrentar dificuldades que marcariam sua tentativa de chegar ao palco das operações de guerra. O contratorpedeiro Rio Grande do Norte partiu do Rio de Janeiro no dia 9 de maio e, por falta de carvão, parou perto de Salvador, tendo de ser rebocado pelo contratorpedeiro Piauí.

Em julho, Nilo Peçanha comunica ao diplomata francês Paul Claudel a decisão brasileira de oferecer o envio de uma missão médica militar à França, a fim de prestar serviços aos exércitos aliados. A missão formada por uma centena de médicos cirurgiões, além de estudantes e de soldados do Exército (que dariam guarda ao hospital brasileiro) seria chefiada pelo deputado e médico Nabuco de Gouveia e ficaria sob as ordens do general Napoleão Aché. Claudel agradeceu, em nome do exército francês, cujas “feridas o Brasil... iria... ajudar a pensar ”.

Uma pequena esquadra brasileira, composta de nove embarcações, partiu de Fernando de Noronha em 1°. agosto com destino à Europa, onde as Forças Aliadas haviam lançado uma contra-ofensiva. Tomou rumo de Serra Leoa, com a missão de “varrer” os submarinos inimigos que encontrasse (32). Ao chegar a Freetown, onde permaneceu por duas semanas, o almirante Pedro de Frontin apresentou-se ao almirante Sheppard, comandante inglês sob cujas ordens a divisão naval brasileira deveria operar.

Nos principais teatros de operações da guerra no Velho continente os progressos aliados se aceleravam. A linha germânica caiu, em 8 de agosto, no fronte oriental e paralelamente as Forças Aliadas entraram em ação em Amiens. No dia 15 os Estados Unidos romperam relações com a Rússia. Nesse meio tempo, partiu para a França, a bordo do navio francês La Plata, a missão médica brasileira, à qual haviam-se incorporado também esposas de cirurgiões que atuariam como enfermeiras, no total de 161 pessoas. Dirigiu-se a Dacar onde deveria encontrar a frota naval brasileira.

A esquadra chegou à capital senegalesa em 26 de agosto, com instruções de permanecer somente o tempo necessário para trabalhos de manutenção. Enquanto na Europa os alemães iniciavam sua retirada para a linha Siegfried, em Dacar a guarnição brasileira era acometida da gripe espanhola. Pereceram 156 de seus integrantes sendo todos enterrados no Senegal. A epidemia atingiu também membros da missão médica brasileira que chegara na véspera.

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